Hoje, quero partilhar a história de um projecto que me levou à Zona Ribeirinha de Silves para celebrar um marco histórico: os 52 anos da nossa democracia. Não foi apenas um mural de arte urbana, mas sim uma experiência de intervenção artística participativa que visou unir a memória do passado à energia das novas gerações.
Esta pintura original em Silves é uma celebração dos valores de Abril, transformando uma estrutura modular numa experiência visual vibrante e partilhada por toda a comunidade.
A intervenção foi concebida para ser dinâmica e versátil. O grande desafio foi criar uma obra de grandes dimensões (8,5 m²) que fosse, ao mesmo tempo, imponente e transportável.
O objectivo desta encomenda do Município de Silves foi pegar em símbolos universais — o cravo, a pomba e o olhar da infância — e elevá-los através da Arte Urbana contemporânea. Criar um mural que não só embelezasse a margem do rio, mas que também convidasse quem passa a reflectir sobre o conceito de Liberdade.
A composição divide-se em diferentes camadas visuais onde a técnica e a mensagem se fundem.
A peça central é o rosto realista de uma criança, pintado em tons de cinza. Representa a nova geração que observa e herda o legado da liberdade. A nitidez do traço destaca-se no centro da estrutura modular.
Ao redor da figura central, os cravos e as pombas da paz são reinterpretados através de polígonos e cores vivas. Este fundo foi o grande palco da participação comunitária, onde o público ajudou a dar vida ao design.
Transformar uma ideia num mural de 8,5 m² em apenas 48 horas foi um desafio de logística e paixão. Comecei no dia 24 com o traçado e a pintura da figura central, para que no dia 25 o fundo estivesse pronto para receber o toque final.
O meu plano era registar cada momento da participação dos miúdos a pintar, mas o entusiasmo foi tão contagiante que não tive mãos para a câmara. Entre explicar as técnicas e ver a alegria das famílias ao preencherem o fundo geométrico, o tempo voou.
Foi uma honra pintar este mural de arte urbana em Silves. Adorei ver como uma pintura original se transformou num património comum durante as celebrações de Abril.
Se gostou desta história e quer ver mais detalhes do processo, convido-o a visitar a página completa no Portfólio: